Na Câmara de Vereadores de Monte Mor, dizem que a tribuna não é mais só lugar de discurso — virou praticamente uma lavanderia pública. E não é qualquer lavanderia, não. Lá o sabão é forte, o amaciante é opcional e a centrifugação acontece ao vivo, com plateia e tudo.
Toda sessão começa normal: pauta do dia, projetos, aquele clima institucional. Mas basta um vereador puxar um assunto “sensível” que, de repente, surge uma pilha de roupa suja que ninguém sabia onde estava escondida. É cueca de eleição passada, meia furada de promessa não cumprida e até toalha encardida de alianças antigas.
Tem vereador que já sobe na tribuna com o balde cheio, pronto pra esfregar. Outro finge que veio só assistir, mas quando vê a espuma subindo, não resiste e joga mais uma peça na máquina. E o detergente? Ah, esse é verbal: cada frase vem com uma dose extra de “eu tenho provas” e “todo mundo aqui sabe”.
O público acompanha como se fosse novela. Tem reviravolta, tem acusação, tem aquele momento clássico em que alguém grita “respeite o regimento!” enquanto o regimento já foi pro varal faz tempo.
No final, ninguém sabe exatamente quem saiu limpo, mas uma coisa é certa: a sessão termina e a sensação é de que faltou só estender tudo no varal da praça pra completar o serviço.
E assim segue Monte Mor, onde a política não perde a graça — e a tribuna, definitivamente, não perde a espuma.

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